O crescimento da construção civil e o previsível aumento do consumo de cimento no final da década de 60 fizeram com que o Estado atribuísse duas novas licenças para a instalação de cimenteiras em território nacional. Surgiu assim a oportunidade para que a CISUL – Companhia Industrial de Cimento do Sul liderada pelo Eng.º Mário Gaspar e contando com o apoio do Banco Fonsecas e Burnay, lançasse a primeira pedra para a implantação da Fábrica de Loulé no início da década de 70.
(Fig.1 Vista panorâmica do Centro de Produção de Loulé) |

(Fig.2 Vista panorâmica do Centro de  Produção de Loulé - Década de 70) |

(Fig.3 Vista panorâmica do Centro de  Produção de Loulé - Década de 70) |
A jazida calcária da vertente sul das serras algarvias complementada com o gesso existente nas proximidades e o xisto para complemento da matéria-prima tornou possível a implantação de uma nova indústria que, no Algarve dessa altura, se resumia à produção de azeite, amêndoa e alfarroba.
O impacte dessa nova realidade foi enorme numa região em que os operários mais especializados recrutados entre a população local eram essencialmente mecânicos de bicicletas e camiões.
Mesmo a equipa responsável pelo acompanhamento das obras e pelo arranque da instalação era proveniente de empresas do Grupo SOMAPRE.
A escolha da tecnologia recaiu na Creusot Loire Entreprises – CLE, detentores da mais avançada tecnologia disponível à data e a instalação foi concebida como uma linha de produção de clínquer com uma moagem de cimento integrada.
A produção industrial iniciou-se em 14 de Setembro de 1973 sob a liderança do Eng.º Dias Cardoso, com uma capacidade instalada de 350.000t/ano de clínquer.

(Fig.4 Pedreira de gesso - Milhanes)  |

(Fig.5 Pedreira de xisto - Passagem) |
 (Fig.6 Forno)  |
(Quadro 1) Características dos Equipamentos
Equipamento |
Tipo |
Fabricante |
Dimensões |
Capacidade |
Britador |
Martelos – DUPLO ROTOR |
MIAG TITAN |
|
400 t/h |
Pré-Homo |
Linear |
SOME – DELLATRE |
(CxLxH) 300x40x10 |
2 X 14.000 t |
Moinho de cru |
Desbastador: duplo rotator |
CLE |
=3,60m
l = 2 x 3,75m |
145 t/h |
Acabador: normal Monocâmara |
CLE |
= 4,00m
l = 5,75m |
Forno |
4 Etapas RSP Arrefecedor de Grelhas |
CLE ONODA FULLER |
= 4,10m
l = 62,50m |
1950 t/dia |
Moinho de cimento 1 |
Circuito fechado 2 Câmaras Separador 1ª Geração |
CLE |
=3,60m
l = 11,10m |
64 t/h |
Moinho de cimento 3 |
Circuito fechado 2 Câmaras Separador 3ª Geração |
POLYSIUS/KHD |
=3,40m
l = 12,00m |
44 t/h |
Ensacadora 1 |
Rotativa de 8 bicas |
HAVER & BOECKER / VENTOMATIC |
- |
120 t/h |
Ensacadora 2 |
Rotativa de 8 bicas |
VENTOMATIC |
- |
100 t/h |
Expedição a granel 1 |
Self-Service |
CACHAPUZ |
- |
60 t/h |
Expedição a granel 2 |
Self-Service |
CACHAPUZ |
- |
60 t/h |
Expedição a granel 3 |
Self-Service |
CACHAPUZ |
- |
60 t/h |
Prova desse compromisso com a atualidade tecnológica assumido desde sempre pelo CPL, é o facto de o projeto prever “ab initio” a produção pelo processo de via seca integral com a correspondente pré-homo. Foi precisamente essa tecnologia em que a CISUL foi uma das pioneiras em Portugal que permitiu a instalação da fábrica numa zona em que a escassez de água era de tal ordem que a simples operação de regar os jardins da fábrica constituía um embaraço para o processo de fabrico.
O próprio aspeto cuidado e inovador dos edifícios de escritório e a sua construção com recurso a elementos pré-fabricados de betão são reflexo dessa forma de pensar e planear.
Na sequência das alterações políticas de 1974, a CISUL foi nacionalizada a 9 de maio de 1975, tendo sido integrada na CIMPOR - Cimentos de Portugal, E.P. aquando da sua constituição a 31 de março de 1976.
O Eng.º Rua de Freitas tornou-se o primeiro diretor do CPL nomeado pela CIMPOR após a nacionalização, ficando a seu cargo a responsabilidade de manter o CPL na rota do sucesso.
|

(Fig.7 Pré-Homo) |
Com o crescente aumento da procura de cimento em Portugal e o desenvolvimento do turismo algarvio surgiu a necessidade de aumentar a capacidade instalada o que foi concretizado em 1982 com a instalação de um pré-calcinador e do segundo moinho de cru. Além de contribuir para uma maior estabilidade da marcha do forno, esta intervenção permitiu ainda, devido à interrupção da produção imposta pela realização das obras, uma profunda intervenção de manutenção após dez anos de produção industrial.
Prosseguindo na senda da otimização do processo, em 1983, foi instalado mais um moinho de cimento. Estas sucessivas alterações no processo concorreram para um aumento da capacidade nominal de 1100tpd para 1950tpd.
O ano de 1983 foi também aquele em que a CIMPOR tomou a decisão de iniciar o processo de adaptação dos seus centros de produção à utilização de carvão como combustível, em detrimento do tradicional fuelóleo. Em 1984 iniciou-se a instalação de um novo moinho de carvão, proveniente da Fábrica de Cal Hidráulica do Cabo Mondego, que entrou em pleno funcionamento em 1986.
(Fig.8 Primeiro clínquer produzido  no Centro de Produção de Loulé) |

(Fig.9 Moinho de Cru)  Produção de Loulé - Década de 70) |

(Fig.10 Pormenor do interior do  Moinho de Carvão) |
O Centro de Produção de Loulé tornava-se cada vez mais um ícone industrial da região sul do país, a par da indústria de conservas e da produção de cerveja. Os operadores do CPL, que numa primeira fase eram oriundos de zonas com outra tradição industrial, em particular o Tramagal, passaram a ser formados localmente e a contribuir por seu turno para o desenvolvimento técnico local o que é mais um exemplo da postura da CIMPOR de promover o desenvolvimento das pessoas e o progresso local.
No caso particular de região do Algarve, o progresso do setor turístico originou a necessidade de um investimento significativo em edificação e infraestruturas para cuja concretização, a disponibilidade de cimento que o CPL proporcionou foi particularmente decisiva. São testemunhos dessa época, e do desenvolvimento do Algarve, algumas obras de referência: Em 2005 o CPL registou-se no Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS) comprometendo-se de forma voluntária com a melhoria contínuado seu desempenho ambiental, reflexo do compromisso assumido pela CIMPOR em promover o desenvolvimento sustentável.
A constante otimização do processo de fabrico de cimento é uma realidade no Centro de Produção de Loulé, que hoje em dia apresenta uma capacidade nominal aproximada de 600.000t de clínquer por ano, onde são produzidos os cimentos CEM II/A-L 42,5 R e CEM II/B-L 32,5 N comercializados no mercado nacional e externo.
|
(Fig.11 Vista panorâmica do Centro  de Produção de Loulé)

(Fig.12 Vista panorâmica da Igreja da  Nossa Senhora da Piedade [Mãe Soberana] - gentileza da Câmara Municipal de Loulé - José Encarnação)

(Quadro 2 - Vendas de cimento da  última década - tonelada) |
